Psicoterapia Infantil: como saber se meu/minha filho/a precisa?

Psicoterapia Infantil: como saber se meu/minha filho/a precisa?

Escrito por Ana Cristina Costa França, em 25 de janeiro de 2020.
A autora é Psicóloga Clínica, Mestre em Psicologia: Teoria e Pesquisa do Comportamento, Professora universitária e Sócia proprietária da Salutem Psi.

Pergunte a um adulto qual a melhor época de sua vida e provavelmente ele responderá, com saudosismo, que foi a infância. A criança é frequente e erroneamente vista como um ser que está em preparação para ser adulto. Frequentemente perguntamos a uma criança “o que você vai ser quando crescer?” Eu nunca ouvi ninguém perguntar a um adulto “o que você vai ser quando envelhecer?”. Talvez porque nossa cultura supervalorize o adulto e superdesvalorize o idoso. Mas, esse é assunto para outro post.
Voltando ao foco, é comum adultos pensarem na infância como uma fase idílica, repleta de brincadeiras e despida de problemas ou responsabilidades. (In)felizmente não é bem assim: hoje temos crianças com problemas (aparentemente) de adultos. Nossa (doente) sociedade gera indivíduos que adoecem cada vez mais cedo. Adultos de hoje escondem em si crianças de ontem com problemas emocionais. E criam crianças também com problemas emocionais.

Crianças aprendem com adultos a terem responsabilidades desde cedo, se tornando “mini adultos”. Isso ocorre independente da classe social. Nas famílias com menor poder de consumo, a criança muitas vezes precisa “ajudar” em casa – aqui precisamos discutir a diferença e

ntre ajudar nas tarefas de casa (excelente para criar responsabilidade e autonomia) e trabalho infantil (péssimo, já que priva a criança do direito de ser criança em seu desenvolvimento físico e mental).
Nas famílias com maior poder de consumo, é frequente encontrarmos crianças com uma agenda cheia de compromissos escolares e extra curriculares, numa tentativa desesperada de seus pais para prepará-los para o futuro mundo adulto.
Criança saudável é criança que faz bagunça e barulho moderados. Quando esses comportamentos são exagerados ou substituídos por isolamento ou silêncio exagerados, então seu/sua filho/a pode estar precisando de ajuda. Costumo dizer que todo excesso revela uma falta: tudo em grande quantidade pode ser sintoma de algo que não está tão claro. 

Como resultante desse mundo adoecido que vivemos atualmente, temos crianças que, por um motivo ou outro, são privadas de viver a infância de forma saudável e plena. Essas crianças acabam adoecendo, apresentando cada vez mais cedo doenças físicas (obesidade, diabetes, problemas de coluna, miopia, astigmatismo, colesterol alto e outras) e emocionais (depressão, ansiedade, altos níveis de estresse, distúrbios alimentares).

Em geral, doenças orgânicas são mais fáceis de detectar: um exame de sangue pode detectar os niveis de colesterol, trigicerídios, glicose; um exame oftalmológico pode identificar estrabismo, miopia, astigmatismo.
Quando digo “mais fáceis”, não estou diminuíndo a importância do diagnóstico dessas doenças. Estou apenas lembrando que quando o sofrimento é mental, emocional, comportamental, o “diagnóstico” não pode ser reduzido a um exame e aí caberá uma avaliação mais minuciosa.
Somos nciona a psicoterapia infantil? seres em constante construção, na infância está a base do que seremos para a vida toda. Se levamos conosco feridas não cicatrizadas da infância, essas feridas se refletirão na nossa adultez.

Assim, os pais estão certos em querer proteger a infância de seus filhos. Crianças saudáveis possuem maior probabilidade de se tornarem adultos saudáveis. E quando esse caminho não está ocorrendo, e quando a criança não está bem? Quando se percebe que a criança apresenta dificuldades seja consigo mesma, com a família, com os colegas, essa é uma excelente hora para procurar ajuda profissional.
Então se meu/minha filho/a está bem, ele não precisa de psicólogo? Precisa sim, a priori todo mundo precisa de psicólogo. Esqueça a máxima de que “só vai ao Psicólogo quem tem problemas”. Afinal, problemas todos temos. Vai ao psicólogo quem quer resolver esses problemas. Afinal, o psicólogo ajuda no processo de Auto conhecimento, independente da idade ou fase do desenvolvimento.

E como funciona a psicoterapia infantil?
 psicoterapia infantil pode ser de grande auxílio no desenvolvimento, no processo de autoconhecimento (tão importantes na infância e adolescência), na identificação e enfrentamento de eventuais medos, anseios, insatisfações das crianças. Nas sessões, o momento é só delas: elas têm ali disponível (só para elas) um adulto com escuta profissional, para auxíliá-la a desvendar seu mundo. Geralmente, em um primeiro momento, atende-se aos pais ou responsáveis para em seguida atender à criança. 

É necessário esclarecer para os pais o quão importante é a sua participação no processo terapêutico. O papel dos pais é muito maior do que pagar pelas sessões e levar a criança até o consultório. Os pais precisam participar da mudança na estrutura familiar para que os hábitos da criança também sejam modificados. Comportamento é interação, e o comportamento da criança será modificado se os pais também modificarem os seus próprios comportamentos. Em geral, as sessões do terapeuta com os pais e com a criança ocorrem em momentos diferentes.
É comum termos que lidar com a ansiedade dos pais diante da psicoterapia de seus filhos. É necessário superar a ansiedade, o medo e muitas vezes o preconceito e a vergonha de expor a dinâmica familiar a um desconhecido. Por isso, diversos critérios  precisam ser considerados na escolha do profissional. Garantir que o profissional é psicólogo/a com CRP ativo e buscar referências desse profissional junto a conhecidos ou amigos, costumam ser boas estratégias para que você possa confiar no trabalho a ser desenvolvido. 

Uma vez garantidos esses cuidados, lembre-se que Psicólogos são profissionais que dominam técnicas científicas e conhecem diferentes metodologias para ajudar seus filhos. Obedecem a um código de ética profissional que garante a preservação de informações sigilosas, pessoais e segredos da dinâmica familiar. O objetivo do trabalho do psicólogo não é fazer juízo de valor da criança e a família, mas ajudar seu filho/a e sua familia a viver de forma mais saudável e plccccc